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quarta-feira, 21 de março de 2012

Bhuta Shuddhi by Unidade da Amadora


Notas: 
  • evitar frutos secos, banana, melão, meloa...
  • não comer alho, cebola, laticínios e derivados (queijo, manteiga...) 
  • pode-se comer doce sem açúcar, azeite + oréganos + manjericão na torrada
  • se se sentir muito fraco fazer a reprogramação emocional (áudio disponível em www.uni-yoga.org)
  • a sopa não deve levar batata
  • pode-se tomar chá de doce-lima, cidreira, mas não tomar chás estimulantes.

Programa elaborado pelos Insts. Carlos Leocádio e Tânia Loureiro


sábado, 4 de junho de 2011

Nêti - Um dos seis principais kriyás (shat karma)

Nêti - Limpeza das narinas e do seio maxilar com àgua (jala nêti) ou com uma sonda especial (sútra nêti).


Jala neti é uma técnica de purificação das vias respiratórias superiores, que consiste em lavar as narinas com água morna e sal.  Além de propiciar uma respiração melhor, é eficaz no tratamento de sinusites, alergias, dores de cabeça e até prevenção de resfriados comuns.

Hoje, milhões de pessoas sofrem de infecções  respiratórias  de algum tipo, que podem ser gentilmente tratadas com água morna e sal, em vez de pesados antibióticos. Jala neti é ideal para pessoas que moram em lugares com alto índice de poluição e pode ser realizado diariamente.

Equipamento:
A utilização de um pote (lota) para jala neti torna a prática muito mais fácil e confortável, pois permite que a água flua suavemente pelas narinas com a força da gravidade.

Água salinizada:
Encha o pote com água pura e morna (semelhante à temperatura corporal). A água deve ser misturada com sal puro na proporção de uma colher de chá rasa para meio litro de água.  A razão para isso é muito simples: a água dessa maneira é uma solução isotônica e que não causará desconforto ao passar pelas narinas.  Misture o sal e tenha certeza que ele foi completamente diluído na água. Sinta o gosto da água e ajuste se sentir que não está correto. A água deve ter sal similar ao de uma lágrima sua. Depois de algumas tentativas, é muito fácil reconhecer a mistura por seu próprio gosto.

Aonde fazer:
A purificação nasal pode ser realizada na pia, numa bacia, no chuveiro ou ao ar-livre. Basta ser um lugar propício para que se escorra água pelas narinas.

Técnica:
1. Encha o pote com a água preparada.
2. Gentilmente introduza a ponte do pote na narina em que estiver respirando melhor. Não deve haver força, mas a ponta do pote deve suavemente pressionar o canto interno da narina para não escorrer água.
3. Incline lateralmente a cabeça em direção ao ombro, enquanto simultaneamente levanta o pote, de forma que a água passe a fluir naturalmente de uma narina e sair pela outra.
4. Durante a passagem da água, respire suavemente pela boca.  Deixe que a água passe por cada uma das narinas entre 10 a 20 segundos.
5. Após a passagem da água por uma das narinas, expire pelo nariz várias vezes com suavidade para retirar a água carregada de muco. Não expire com força, pois pequenas dores poderão surgir. Expire várias vezes e suavemente, até que o nariz esteja seco.
6. Repita o procedimento com a narina inversa.

Duração e quando fazer:
Jala neti é prático e pode ser feito em menos do que 5 minutos. Pode ser realizada diariamente e o ideal é que seja feita de manhã em jejum. Se necessário, pode ser realizada em outros períodos do dia, evitando-se os períodos logo após as refeições. Uma vez ao dia é suficiente, mas pode ser de praticada mais vezes para aliviar resfriados e excesso de muco.

Dicas:
1. A prática é suave e não deve haver dor. Se há algum ardor na passagem da água, isso significa que ou colocou sal a mais ou a menos. Acerte a dosagem de sal com sua prática, seguindo a orientação acima.
2. Ao expirar a água pelo nariz, faça suavemente. Se sentir dor, a expiração ocorreu com muita força.
3. Secar bem as narinas é um estágio importante do jala neti. Expire suavemente repetidas vezes para deixá-las completamente secas.
4. Após secar as narinas, podem ser aplicadas nelas óleo de amêndoas, de gergelim ou ghee (manteiga clarificada) para auxiliar na lubrificação.

Precauções:
Pessoas com sangramento crônico do nariz devem procurar um professor experiente antes de praticar.

Benefícios:
1. Excelente para o tratamento de sinusites, alergias, dores de cabeça e prevenção de resfriados comuns.
2. Maximiza a capacidade respiratória, com um maior fluxo de ar nas narinas desobstruídas. Por conseqüência, melhora a saúde como um todo.
3. Auxilia em casos de doenças pulmonares, como asma, pneumonia, bronquite, tuberculose etc.
4. Tem efeito sutil nos nervos localizados no término das fossas nasais, aliviando sintomas de tensão e depressão.
5. Auxilia no equilíbrio do sistema nervoso e induz estados meditativos, ao balancear ida e pingala.




Fontes:
- Tratado de Yôga do Mestre DeRose

domingo, 22 de maio de 2011

Proverbios que me tocam

  • "perder o equilibrio por amor faz parte de viver a vida em equilibrio" - Ketut no filme "Eat.Pray.Love"
  • "Yôga can take a man into two ways of living; enjoyment of life or liberation in life" - B.K.S. Iyengar no Filme/Documentário "Enlighten Up"
  • "Que ingenuidade: pedir a quem tem o poder para reformar o poder..." - Giordano Bruno, 1600

quinta-feira, 17 de março de 2011

Como escrever SwáSthya Yôga em dênavágari

  • Documento PDF para download:

  • Video 1:  DeRose explica como se escreve SwáSthya Yôga em dêvanágarí


  • Video 2:  Como escrever SwáSthya Yôga em dênavágari



  • Traçado Pontilhado com as Direcções:



Fonte: http://swasthya.marcocarvalho.com/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CÓDIGO DE ÉTICA DO YÔGIN

INTRODUÇÃO
Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.


I. AHIMSÁ
• A primeira norma ética milenar do Yôga é o ahimsá, a não-agressão. Deve ser entendido lato sensu.
• O ser humano não deve agredir gratuitamente outro ser humano, nem os animais, nem a natureza em geral.
• Não deve agredir fisicamente, nem por palavras, atitudes ou pensamentos.
• Permitir que se perpetre uma agressão, podendo impedi-la e não o fazendo, é acumpliciar-se no mesmo ato.
• Derramar o sangue dos animais ou infringir-lhes sofrimento para alimentar-se de suas carnes mortas constitui barbárie indigna de uma pessoa sensível.
• Ouvir uma acusação ou difamação e não advogar em defesa do acusado indefeso por ausência constitui confissão de conivência.
• Mais grave é a agressão por palavras, atitudes ou pensamentos cometida contra um outro praticante de Yôga.
• Inescusável é dirigir tal conduta contra um professor de Yôga.
• Sumamente condenável seria, se um procedimento hostil fosse perpetrado por um professor contra um de seus pares.

Preceito moderador:
A observância de ahimsá não deve induzir à passividade. O yôgin não pode ser passivo. Deve defender energicamente os seus direitos e aquilo em que acredita.

II. SATYA
• A segunda norma ética do Yôga é satya, a verdade.
• O yôgin não deve fazer uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de equívoco ou distorção na interpretação de um fato, seja na de omissão perante uma dessas duas circunstâncias.
• Conseqüentemente, ouvir boatos e deixar que sejam divulgados é tão grave quanto passá-los adiante.
• O boato mais grave é aquele que foi gerado com boa-fé, por falta de atenção à fidelidade do fato comentado, já que uma inverdade dita sem más intenções tem mais credibilidade.
• Emitir comentários sem o respaldo da verdade, sobre fatos ou pessoas, expressa inobservância à norma ética.
• Praticar ou transmitir uma versão inautêntica de Yôga constitui exercício da inverdade.
• Exercer o ofício de instrutor de Yôga sem ter formação específica, sem habilitação mediante avaliação de autoridade competente ou sem a autorização do seu Mestre, constitui ato ilegítimo.

Preceito moderador:
A observância de satya não deve induzir à falta de tato ou de caridade, sob o pretexto de ter que dizer sempre a verdade. Há muitas formas de expressar a verdade.


III. ASTÊYA
• A terceira norma ética do Yôga é astêya, não roubar.
• O yôgin não deve se apropriar de objetos, idéias, créditos ou méritos que sejam devidos a outrem.
• É patente que, ao fazer uso em aulas, em entrevistas a órgãos de comunicação e em textos escritos ou gravados de frases, definições, conceitos, métodos ou símbolos de outro professor, seu autor seja sempre honrado através de citação e/ou direito autoral, conforme o caso.
• Desonesto é prometer efeitos que o Yôga não pode proporcionar, bem como acenar com benefícios exagerados, irreais ou mirabolantes e, mormente, curas de qualquer natureza: física, psíquica ou espiritual.
• Um professor de Yôga não deve roubar alunos de outro professor.
• Em decorrência disso, será antiético um professor instalar-se para dar aulas nas proximidades de outro profissional da mesma linha de trabalho, sem consultá-lo previamente.
• Considera-se desonesto o professor cobrar preços vís, pois, além de desvalorizar a profissão, estará roubando o sustento aos demais professores que dedicam-se exclusivamente ao Yôga e precisam viver com dignidade e sustentar suas famílias como qualquer outro ser humano.
• Tal procedimento estaria, ademais, roubando da Humanidade o patrimônio cultural do Yôga, já que só poderia ministrá-lo a preços ignóbeis quem tivesse uma outra forma de sustento e, portanto, não se dedicasse a tempo integral ao estudo e auto-aprimoramento nessa filosofia de vida, o que culminaria numa gradual perda de qualidade até sua extinção total.

Preceito moderador:
A observância de astêya não deve induzir à recusa da prosperidade quando ela representar melhor qualidade de vida, saúde e cultura para o indivíduo e sua família. Contudo, a opulência é um roubo tácito.


IV. BRAHMÁCHARYA
• A quarta norma ética do Yôga é brahmácharya, a não-dissipação da sexualidade.
• Esta norma recomenda total abstinência de sexo aos adeptos do Yôga Clássico e de todas as correntes não-tântricas.
• O yama brahmácharya não obriga o celibato nem a abstinência do sexo para os yôgins que seguirem a linha tântrica.
• A sexualidade se dissipa pela prática excessiva de sexo com orgasmo.
• O yôgin ou yôginí que tiver conquistado progressos em sua qualidade de energia mediante as práticas e a observância destas normas, deverá preservar sua evolução, evitando relações sexuais com pessoas que não se dediquem ao mesmo ideal de saúde e purificação.

Preceito moderador:
A observância de brahmácharya não deve induzir ao moralismo, puritanismo, nem ao distanciamento ou à falta de afeto entre as pessoas, nem como pretexto para furtar-se ao contato íntimo com seu parceiro ou parceira conjugal.


V. APARIGRAHA
• A quinta norma ética do Yôga é aparigraha, a não-possessividade.
• O yôgin não deve ser apegado aos seus bens e, ainda menos, aos dos demais.
• Muitos dos que se "desapegam" estão apegados ao desejo de desapegar-se.
• O verdadeiro desapego é aquele que renuncia à posse dos entes queridos, tais como familiares, amigos e, principalmente, cônjuges.
• Os ciúmes e a inveja são manifestações censuráveis do desejo de posse de pessoas e de objetos ou realizações pertinentes a outros.

Preceito moderador:
A observância de aparigraha não deve induzir à displicência para com as propriedades confiadas à nossa guarda, nem à falta de zelo para com as pessoas que queremos bem.


VI. SAUCHAN
• A sexta norma ética do Yôga é sauchan, a limpeza.
• O yôgin deve ser purificado tanto externa quanto internamente.
• O banho diário, a higiene da boca e dos dentes, e outras formas comuns de limpeza não são suficientes. Corporalmente, é necessário proceder à purificação dos órgãos internos e das mucosas, mediante as técnicas do Yôga.
• De pouca valia é lavar o corpo por fora e por dentro se a pessoa ingere alimentos com elevadas taxas de toxinas e impurezas tais como as carnes de animais mortos que entram em processo de decomposição logo depois da morte.
• Da mesma forma, cumpre que o yôgin não faça uso de substâncias intoxicantes, que gerem dependência explícita ou que alterem o estado da consciência, ainda que tais substâncias sejam naturais.
• Aquele que só trata da higiene física não está cumprindo sauchan. Esta recomendação só está satisfatoriamente interpretada quando se exerce a prática da limpeza interior. Ser limpo psíquica e mentalmente constitui requisito imprescindível.
• Ser limpo interiormente compreende não alimentar seu psiquismo com imagens, idéias, emoções ou pensamentos intoxicantes, tais como tristeza, impaciência, irritabilidade, ódio, ciúmes, inveja, cobiça, derrotismo e outros sentimentos inferiores.
• Finalmente, esta norma atinge sua plenitude quando a limpeza do yôgin reflete-se no meio ambiente, cujas manifestações mais próximas são sua casa e seu local de trabalho.

Preceito moderador:
A observância de sauchan não deve induzir à intolerância contra aqueles que não compreendem a higiene de forma tão abrangente.


VII. SANTÔSHA
• A sétima norma ética do Yôga é santôsha, o contentamento.
• O yôgin deve cultivar a arte de extrair contentamento de todas as situações.
• O contentamento e sua antítese, o descontentamento, são independentes das circunstâncias geradoras. Surgem, crescem e cingem o indivíduo apenas devido à existência do gérmen desses sentimentos no âmago da personalidade.
• O instrutor de Yôga deve manifestar constante contentamento em relação aos seus colegas e expressar isso através da solidariedade e apoio recíproco.
• Discípulo é aquele que cultiva a arte de estar contente com o Mestre que escolheu.

Preceito moderador:
A observância de santôsha não deve induzir à acomodação daqueles que usam o pretexto do contentamento para não se aperfeiçoar.


VIII. TAPAS
• A oitava norma ética do Yôga é tapas, auto-superação.
• O yôgin deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos.
• Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada dia e aplica-se a todas as circunstâncias.
• O cultivo da humildade e o da polidez constituem demonstração de tapas.
• Manter a disciplina da prática diária de Yôga é uma manifestação desta norma. Preservar-se de uma alimentação incompatível com o Yôga faz parte do tapas. Conter o impulso de expressar comen-tários maldosos sobre terceiros também é compreendido como correta interpretação desta observância.
• A seriedade de não mesclar com o Yôga sistemas, artes ou filosofias que o conhecimento do seu Mestre desaconselhar, é tapas.
• A austeridade de manter fidelidade e lealdade ao seu Mestre constitui a mais nobre expressão de tapas.
• Tapas é, ainda, a disciplina que respalda o cumprimento das demais normas éticas.

Preceito moderador:
A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.



IX. SWÁDHYÁYA
• A nona norma ética do Yôga é swádhyáya, o auto-estudo.
• O yôgin deve buscar o autoconhecimento mediante a observação de si mesmo.
• Esse auto-estudo também pode ser obtido através da concentração e meditação. Será auxiliado pela leitura de obras indicadas e, na mesma proporção, obstado por livros não recomendados pelo orientador competente.
• O convívio com o Mestre é o maior estímulo ao swádhyáya.
• O auto-estudo deve ser praticado ainda mediante a sociabilidade, o alargamento do círculo de amizades e o aprofundamento do companheirismo.

Preceito moderador:
A observância de swádhyáya não deve induzir à alienação do mundo exterior nem à adoção de atitudes que possam levar a comportamentos estranhos ou que denotem desajustes da personalidade.

X. ÍSHWARA PRANIDHÁNA
• A décima norma ética do Yôga é íshwara pranidhána, a auto-entrega.
• O yôgin deve estar sempre interiormente seguro e confiante em que a vida segue o seu curso, obedecendo a leis naturais e que todo esforço para a auto-superação deve ser conquistado sem ansiedade.
• Durante o empenho da vontade e da dedicação a uma empreitada, a tensão da expectativa deve ser neutralizada pela prática do íshwara pranidhána.
• Quando a consciência está tranqüila por ter tentado tudo e ainda assim não se haver conseguido o resultado ideal; quando a pessoa está literalmente impossibilitada de obter melhores conseqüências, esse é o momento de entregar o fruto das suas ações a uma vontade maior que a sua, cujos desígnios muitas vezes são incompreensíveis.

Preceito moderador:
A observância de íshwara pranidhána não deve induzir ao fatalismo nem à displicência.


CONCLUSÃO
O amor e a tolerância são pérolas que enriquecem os mandamentos da nossa ética.
Que este Código não seja causador de desunião.
Não seja ele usado para fins de patrulhamento ideológico, discrimi-nação, manipulação nem perseguição.
Nenhuma penalidade seja imposta por nenhum grupo aos eventuais descumpridores destas normas. A eles lhes bastará a desventura de não usufruir do privilégio de vivenciá-las.


Fonte:
Elaborado pelo Mestre DeRose
inspirado no Yôga Sútra de Pátañjali.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Swásthya Yôga - Mantras

Hê Kalyaní

Hê Kalyání, hê Bhavání,
Hê Mahêshwarí namô namah
Shaktí Durgání namô namah
Shaktí Bhaváni namô namah
-------------------------------

Ôm Shiva Ôm Shaktí
Ôm Shiva, Ôm Shaktí
Namah Shiva, Namah Shaktí
-------------------------------

ÔM Guru, ÔM Guru
Jaya Guru Dê (2x)

Jaya Guru, Sada Guru
Jaya Guru Dê (2x)
-------------------------------

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ecologia e Yoga

     TODAS AS FORMAS DE VIDA SAO LIGADAS entre si e dependem umas das outras. É esse o tema da ecologia. Em palavras simples, a ecologia é o estudo dos relacionamentos vitais entre os vegetais e animais (ou seres humanos) e o ambiente em que vivem. Muitas vezes, a palavra é usada para designar o próprio nexo que liga o ser vivo ao ambiente, embora a ecologia seja, a rigor, o estudo desse nexo.

     Nosso planeta já foi comparado a uma espaçonave gigantesca cujos recursos são limitados. É verdade que os recursos da Terra não são inexauríveis, mas há um outro fato muito importante: nosso planeta natal é muito mais complexo do que poderia ser qualquer implemento tecnológico. Ele é, como lembrou à nossa geração o biólogo James Gordon Lovelock, um organismo vivo, que ele chamou de "Gaia". Sendo um organismo vivo, a Terra é um sistema de forças cuidadosamente equilibradas.

    No decorrer das décadas passadas, esse equilíbrio foi gravemente perturbado por padrões de vida antiecológicos, característicos sobretudo dos chamados países "civilizados", que geraram a chamada "crise ecológica". Muitos fatores contribuem para essa crise, e entre eles podemos destacar a superpopulação, a má distribuição da população (ou seja, o gigantismo das áreas metropolitanas), o consumo excessivo, o desperdício, o mau uso da tecnologia e, sendo este um dos principais problemas, uni pensamento egoísta e imediatista.

      O que tudo isso tem a ver com o Yoga? Tudo. O Yoga é intrinsecamente ecológico. Todo Yoga é aquilo que já se chamou de "Eco-Yoga". Nas palavras do Bhagavad-Gitâ (11.48), Yoga é equilíbrio (samatva). Essa palavra não precisa ser compreendida somente no âmbito psicológico. Quando temos o equilíbrio interior, temos também o equilíbrio em relação ao ambiente. Isso se confirma pelo código moral do Yoga, abrangente e rigoroso, que abarca todos os aspectos das relações do praticante com seu ambiente e com os outros seres vivos.

     Esse código se consubstancia nas cinco disciplinas morais (yama): não cometer violência, praticar a veracidade, não roubar, respeitar a castidade e não cobiçar. Assim, a não-violência (ahimsâ) consiste numa reverência por todas as formas de vida. Isso implica, por exemplo, a escolha de um estilo de vida que não prejudique o hábitat de outras espécies animais. Além disso, quando levamos a sério essa regra, temos de adotar uma dieta vegetariana. Caso isso não seja possível, temos ao menos de garantir que nosso consumo de produtos derivados de animais (carne, ovos e laticínios) não colabore de modo algum com a cruel prática da criação animal industrializada.

      A regra yogue do não-roubar (asteya) implica, por exemplo, que não peguemos para nós mais do que o necessário para atender as necessidades do nosso complexo psicossomático. São poucos, porém, os que se dispõem a adotar o modo de vida espartano com o qual os verdadeiros yogins estão acostumados. Por outro lado, existem muitas coisas que podemos fazer para nos adaptar a essa obrigação moral. Assim, podemos evitar o que se chama de "consumismo" e que inclui o abominável desperdício de alimentos. Podemos aprender a usar aquilo que temos de sobra (e cujo destino é na maioria das vezes a lata de lixo) para melhorar as condições de vida de nossos semelhantes menos afortunados.

    Do mesmo modo, a regra moral do não-cobiçar (aparigraha) é compreendida como uma exigência abrangente de que o homem se relacione com a vida de maneira equilibrada, sem querer tudo para si, respeitando o direito dos outros de partilhar dos recursos do nosso planeta. O viver consciente é um equilíbrio entre o dar e o receber. Assim, por exemplo, quando cortamos uma árvore num terreno nosso, ternos o dever de plantar pelo menos mais uma árvore. O pensamento eco-yogue exige de nós que colaboremos para repor os recursos utilizados.

     A exigência yogue de pureza (shauca), que é uma das regras de autodomínio (niyama), também pode ser compreendida num sentido ecológico mais amplo. Temos de fazer todo o possível para eliminar a poluição em nossa própria vida e para apoiar os esforços em prol da limpeza do ambiente em geral.

     O "Eco-Yoga" é um conceito que hoje designa a necessária convergência entre a espiritualidade yogue tradicional e o ativismo social que gira em torno das preocupações ecológicas. No começo do terceiro milênio d.C., estamos diante de uma crise ambiental cada vez mais grave que afeta profundamente a vida de todos. Já não podemos nos dar ao luxo de adotar o quietismo como postura de vida. Temos também de assumir a responsabilidade pelo ambiente em que vivemos, e isso significa reavivar em nós a idéia de que este planeta é sagrado e participar ativamente do seu processo de recuperação ecológica.

      Do ponto de vista metafísico, o desafio com que deparamos é o de aprender a respeitar tanto a transcendência quanto a imanência. Para dar um exemplo concreto, não podemos ter a menor esperança de conhecer a nós mesmos e muito menos a Divindade, enquanto deixarmos que as pilhas de detritos e os poluentes tóxicos que infestam o ar bloqueiem nossa visão. Temos, antes, de aprender a cooperar com a Natureza, a qual é a própria base do esforço espiritual que temos a pretensão de fazer. Temos de estar dispostos a mostrar fidelidade não só ao caminho espiritual que escolhemos, mas também ao mundo em que vivemos.

     Segundo a tradição do Tantra-Yoga, o corpo é um instrumento precioso para a realização da Divindade ou da Realidade. Temos de reconhecer, da mesma maneira, o imenso valor do nosso planeta. A Terra é o nosso corpo e é o único que temos. Destruindo-o, é como se nos suicidássemos.

Vou apresentar agora algumas diretrizes para o cultivo do processo eco-yogue.

     Ter a determinação de compreender a época em que vivemos e as forças internas que a moldam. Uma vez que vivemos numa complexa civilização pluralista, estamos inevitavelmente expostos a todos os tipos de correntes socioculturais, as quais precisamos compreender para cultivar nossa própria autenticidade. Leitura recomendada (em ordem alfabética): Morris Berman, The Re-enchantment of the World (1981); Marilyn Ferguson, The Aquarian Conspiracy (1980); Jean Gebser, The Ever-Present Origin (1985); Carl Gustav Jung, Modern Man in Search of a Soul (1963); Gordon Rattray Taylor, Rethink (1972); Theodore Roszak, Person/Planet (1978); Alvin Toffler, Future Shock (1970) e The Third Wave (1980); Ken Wilber, Up From Eden (1981) e Sex, Consciousness, Spirituality (1995).

     Tomar plena consciência do problema e informar-se ao máximo sobre ele. Leitura recomendada: Thomas Berry, The Dream of the Earth (1988); Lester Brown, relatórios State of the World; Paul e Anne Ehrlich, The Population Bomb (1968) e The Population Explosion (1990); Duane Elgin, Voluntary Simplicity (1981); Francesca Lyman et al., orgs., The Greenhouse Trap (1990); Mihajlo Mesarovic e Eduard Pestel, Mankind at the Turning Point (1974); John G. Mitchell e Constance L. Stalling, orgs., Ecotactics (1970); Jonathan Porritt, Seeing Green (1984); Barbara Ward, The Home of Man (1976). Todas essas publicações, ao lado de muitos outros bons livros, contêm um tesouro de informações de aplicabilidade imediata. Existem, porém, alguns livros que podem ser particularmente recomendados como manuais práticos: The Global Ecology Handbook: What You Can Do about the Environmental Crisis (1990), organizado pot Walter H. Corson; 50 Simple Things You Can Do to Save the Earth (1989), 50 Simple Things Kids Can Do to Save the Earth(1990) e The Recycler's Handbook (1990), do Earth Works Group de Berkeley, Califórnia; The Simple Act of Planting a Tree (1990), do Treepeople com Andy e Katie Lipkis, publicado por J. P Tarcher. Não temos de nos tornar especialistas, mas temos de saber o que está acontecendo ao nosso redor, conhecer as coisas que podem nos afetar e afetar a vida de nossos filhos e netos.

      Levar uma vida mais simples, mais sensível a ecologia.

     Temos de avaliar nossos hábitos de consumo e ver o que podemos fazer para diminuir o consumo de energia e a poluição no nosso ambiente imediato. Podemos, por exemplo, nos perguntar: preciso deixar tantas luzes acesas? Realmente preciso ligar o ar-condicionado ou o aquecedor, ou posso isolar melhor a minha casa e assim diminuir o desperdício de energia? Preciso usar o automóvel com tanta freqüência ou posso planejar com mais cuidado minhas saídas, ou mesmo combinar um rodízio de carros com os amigos? Preciso dar a descarga toda vez que uso o banheiro e tomar um banho de quinze minutos todos os dias? Não poderia reciclar latas e garrafas? Será que realmente não tenho dinheiro para comprar alimentos orgânicos e mais saudáveis? A preguiça realmente me impede de usar os resíduos vegetais para fazer adubo composto no jardim? E por aí afora. As grandes mudanças começam quando fazemos as coisas "pequenas" - agora.

      Unir forças com um grupo ecológico local e passar a ter alguma atividade política. O Yoga não é mera interioridade. Tampouco é incompatível com a atividade política. Com excessiva freqüência, os praticantes de Yoga preocupam-se apenas com a própria salvação e ignoram o contexto maior em que vivem. Em última análise, essa atitude é egoísta e contrária ao espírito do Yoga, além de ser contraproducente. Isso porque o ambiente se impõe a nós. Como, por exemplo, cultivar o controle da respiração numa cidade onde o ar é poluído? Como conservar sadios o corpo e a mente quando o solo onde cresce o nosso alimento é envenenado por substâncias químicas nocivas? Como alcançar a imobilidade interior necessária à meditação e à oração quando nossos tímpanos são constantemente bombardeados pelo ruído dos carros e dos aviões? No mínimo, temos o dever de dar apoio a grupos de ativistas como o Greenpeace, o Amigos da Terra, o Sierra Club, a National Wildlife Federation ou o Elmwood Institute.

     Cultivar o autoconhecimento, lançando luz sobre os motivos que nos levaram a tomar o caminho espiritual; e ter disposição para reconhecer e trabalhar as tendências neuróticas que se disfarçam de ideais espirituais. Não podemos confiar irrefletidamente na idéia que temos de nós mesmos; temos de consultar pessoas sábias e benignas que possam servir de espelhos fiéis do nosso caráter. A falta de autoconhecimento freqüentemente nos leva a agir erroneamente.

     Estudar as tradições espirituais do mundo inteiro a fim de aprofundar a compreensão do caminho que adotamos.

     Isso nos ajuda a apreciar a complementaridade das tradições religiosas e espirituais deste nosso mundo. Faz diminuir também a tendência à parcialidade, ao sectarismo, ao elitismo espiritual e a outras formas de exclusivismo. Pode, enfim, nos ajudar a cultivar as virtudes admiráveis - e, na verdade, essenciais - da compaixão e da tolerância, que facilitam a cooperação e o viver ecológico.
Ficar em contato com o ambiente natural. A vida na cidade seduz as pessoas e as leva a ter uma relação abstrata com a Terra. E importante encostar no solo, cuidar de flores ou de árvores, provar a água pura das vertentes de montanha, ver de perto a exuberância da vida selvagem e assim por diante. Sem esse "aterramento", a interioridade muitas vezes não passa de uma fuga neurótica. Para sermos completos, precisamos não só da bênção do Céu no interior, mas do toque da Terra no exterior, que nos transforma.

      Recordarmo-nos todos os dias de que a vida é um dom precioso que não pode ser desperdiçado, dissipado ou mal utilizado. Se o nosso coração está aberto, a gratidão e o louvor fluem naturalmente dos nossos lábios. De maneira geral, a educação ocidental não nos predispõe a expressar nossa gratidão (nem as demais emoções) e nos ensina antes a criticar do que a louvar. E claro que não há necessidade de omitir as críticas que precisam ser feitas, mas essas críticas, muitas vezes, são melhor recebidas quando são temperadas com a compaixão e o louvor (o qual pode ser visto como uma forma ativa da compaixão).

     A vida no mundo pós-moderno nos feriu a todos de uma maneira ou de outra, e a necessidade de cura é intensa. O louvor e as expressões de gratidão são meios excelentes para aliviar o sofrimento (duhkha) e promover a esperança. Quando vemos a vida como uma oportunidade espiritual pela qual somos gratos, o mundo deixa de ser nosso inimigo. Não deixamos de colher a nossa parte do karma coletivo nem de sofrer com a exploração da Terra, mas começamos por outro lado a sentir uma afinidade mais profunda com todas as pessoas, seres e coisas - afinidade essa que é em si mesma uma cura. Tornamo-nos verdadeiros cidadãos do ecossistema cósmico; nosso voto, que decidirá o futuro desse ecossistema, é dado a cada momento pela maneira como vivemos.

 
Autor: Georg Feuerstein
Fonte: Livro – Tradição do Yoga
Editora: Cultrix

domingo, 21 de novembro de 2010

Ásana: pensando com o corpo

     A filosofia hindu afirma que na matéria existe consciência e que na consciência existe matéria. O Yoga quer pensar com o corpo: através da experimentação, os yogis da antiguidade descobriram que fazer exercícios físicos de forma ritual traz enormes conseqüências metafísicas.

     O yogi busca a inteligência que está escondida no corpo, a consciência que está escondida no corpo: esse é o ponto de partida para poder achar a verdadeira identidade. Esses exercícios se chamam ásanas em sânscrito: são um conjunto de técnicas altamente instigantes e desafiadores, que podem exigir tudo no plano físico, mas que não são um fim em si mesmos.

     Pode-se dedicar uma vida inteira aos ásanas, e nem por isso estará se fazendo Yoga. O que faz a diferença é a atitude que está por trás dos exercícios. E, com a atitude correta, vem uma série de coisas junto: alinhamento, inteligência corporal, respiração consciente, despertar das experiências do corpo sutil, transformação do organismo, num processo que poderíamos chamar de alquimia corporal.

     A construção de um corpo novo está vinculada com a iniciação, o novo nascimento do praticante. Constrói-se o corpo novo para perder a identificação com o ‘antigo’, vinculado a couraças de tensão muscular, samskáras ou latências mentais.

     O Yoga quer dar um corpo novo ao praticante, que ele mesmo irá construir, célula por célula, fibra por fibra. Usando esse novo corpo como instrumento, ele poderá avançar a passos largos em direção à meta do Yoga. O único que se precisa ter é muita disposição e força de vontade.

     Entretanto, é preciso ter muita consciência e saber exatamente o que você faz ao praticar ásana, e para que você pratica. Se não for assim, corre-se o risco de que o ego cresça em proporção direta ao aumento da força ou da flexibilidade.

     O poder que dá o Yoga é para aniquilar o ego, mas pode ser usado erroneamente, como combustível para alimentá-lo. Flexibilidade da coluna não é sinal de progresso no Yoga. Se fosse assim, os contorcionistas de circo seriam pessoas altamente espiritualizadas. E você sabe que nem sempre flexibilidade e espiritualidade vão juntas.

     A sensação que se percebe ao fazer estes exercícios é como a que se tem depois de haver ficado durante muito tempo no escuro, e sair repentinamente à luz do dia. A atenção se localiza apenas no momento presente: uma nova realidade se nos revela e novas sensações são descobertas. A conexão com a fonte da existência fica firmemente restabelecida. Quer experimentar?

Autor: Pedro Kupfer
Fonte: http://www.yoga.pro.br/